Análise: Metal Gear Solid V Ground Zeroes

Semana passada, 18 de março, foi o lançamento do novo Metal Gear Solid, o Ground Zeroes, que é um epílogo do Peace Walker e um prólogo do Phantom Pain. Distribuído pela Konami e desenvolvido pela Kojima Productions, ele saiu para PS3, Xbox 360 ($20 versão digital, $30 versão retail), PS4 e Xbox One ($30 tanto a versão digital quanto a retail). É muito importante falar do preço, devido todas as controvérsias relacionadas com o tempo de duração do jogo. Acontece que foi vazado antes do lançamento que a missão principal do jogo duraria duas horas mais ou menos. Logo os jogadores do mundo inteiro se revoltaram, dizendo que o jogo era uma demo e que era muito injusto cobrar 30 obamas por isso. Realmente o jogo é curto; e nem era desejo do Kojima lançar separado. Isso foi uma imposição da Konami, sabendo que ia vender bem depois de 6 anos do lançamento do último pra console (o MGS4) e ajudaria a aumentar o lucro do ano fiscal.


O jogo começa logo após os eventos do Peace Walker . Paz está viva e foi capturada, e ela sabe muito sobre o exército sem fronteiras do Big Boss, e ela é suspeita de ser uma agente tripla. Para piorar mais a situação, Chico também é capturado e ambos estão confinados na mesma ilha. Para evitar problemas, Big Boss deve resgatar ambos dessa ilha. Essa é a missão principal, e se você não jogou Peace Walker, não deve ter entendido nada. Isso deixa claro que o jogo foi feito quase que exclusivamente para fãs da série. Mas há umas fitas disponíveis com a história dele no menu para te contextualizar. O novo motor gráfico, a Fox Engine, é muito bonito e confere gráficos espetaculares!


 Em questão de gameplay, Metal Gear está no seu auge! A mecânica de tiro finalmente está boa, e graças a isso stealth não á a única opção disponível, o que possibilita a todos jogarem do seu jeito. Big Boss corre, anda agachado, rasteja, rola, faz o que você quiser. Há um botão do controle dedicado ao binóculos, que é muito útil e permite você marcar os inimigos para rastrear seus movimentos, assim como o excelente Far Cry 3. A posição dos inimigos fica marcada no mapa, que ganha um app disponível para android e iOS, o iDroid, que permite você acompanhar o mapa pela tela do seu celular ou tablet, um recurso bem útil. Há também um botão dedicado ao codec, mas não como estamos acostumados: o codec se limita a um comentário do Kaz sobre o que você estiver observando no momento.


O som do jogo mantém o padrão conhecido, com ótimas músicas e uma boa música tema, a Here’s to You, escolhida pelo próprio Kojima, por ser uma música de um filme que ele gosta e sua letra tem relação com a relação entre os personagens Chico/Paz e Snake/Kaz.

Remote-play do PS4

Mas ao mesmo tempo que o jogo brilha dentro da franquia Metal Gear, ele é o jogo com menos das características que a fizeram famosa. Não há caixas aqui (uma pena, eu sei), a fim de manter o tom mais sério abordado pelo jogo. Como eu já mencionei, o codec praticamente não está presente. E a história e as cut-scenes, que são a marca de Metal Gear, também são bem reduzidas. E que tal aquela boss battle épica que sempre ocorre em MG? Não aqui.


Agora, sobre a controvérsia do tempo/história em si: há apenas uma missão de história, 4 missões pararelas (Side Ops) e uma extra (Extra Op, esta com conteúdo diferenciado para cada plataforma: Déjà Vu nas plataformas Sony e Jamais Vu nas da Microsoft). Você deve estar se perguntando se vale a pena. Depende. Se você é fã, não há o que pensar e provavelmente você já está jogando. Se você acompanha mais ou menos os jogos que saem, dê um jeito de jogar o Peace Walker para ficar em dia com a história necessária não só para esse jogo, mas para o Phantom Pain também. História e cut-scenes, que sempre foram ótimas e muito presentes em Metal Gear, são bem reduzidas aqui. Há apenas duas cut-scenes, a de começo e a do final após resgatar os dois. O final tem cenas fortes, e durante todo o jogo percebemos o tom mais sério que Kojima quer para a franquia. A história, para fãs, é satisfatória, e é um teaser maldito; te fará apenas ficar na vontade louca de jogar Phantom Pain, que pode demorar muito para ser finalizado ainda. Você tem um bom conteúdo para se divertir. Pense nesse Metal Gear como um jogo do Tony Hawk, e na base que você deve invadir como sua pista de manobras; você tem desafios de marcação dos inimigos, vários prisioneiros para resgatar (além de Chico e Paz, e em todas as missões), alguns colecionáveis e isso só na missão principal. As Side Ops oferecem objetivos diferenciados, e inclusive uma delas conta com uma participação mais do que especial. Existem fitas espalhadas por todas as missões, e se você as pegar terá mais detalhes da história. A missão exclusiva Déjà Vu é bem legal, nela você deve recriar algumas cenas do primeiro Metal Gear Solid, bem nostálgico. Se você gosta de troféus/conquistas, tem bastante coisa para fazer. A pena é que no caso dos troféus, o jogo ficou sem uma platina (muito triste, eu sei). Ah, e o jogo entrega a ideia de como será o próximo, ele não é linear, ou seja, você pode completar os objetivos na ordem que você se sentir confortável.


O que há de bom:
- Série no auge em seu gameplay;
- Mais aberto a jogadores que não se dão bem com stealth, muitas possibilidades;
- Trilha sonora boa, que mantém o padrão da franquia;
- Fox Engine, o motor gráfico do jogo, que é espetacular;
- Há um resumo do Peace Walker para que não o jogou.

Os pontos negativos:
- Somente um mapa;
- História muito focada nos fãs; não é aberta a novos jogadores;
- Sem nenhuma batalha contra chefe;
- Sem troféu de platina;
- Sem o codec tradicional.

Saldo:

Metal Gear Solid V: Ground Zeroes é um jogo curto, mas que oferece bastante conteúdo mesmo assim. Vale muito a pena jogar para se acostumar com a nova e excelente jogabilidade, pois mesmo os veteranos vão sofrer no começo, e também dá para se ter uma ideia de como será o novo jogo, não linear e de mundo aberto.



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